segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os "doutos" da ABL tomam muito chá, comem muito biscoito e esquecem o purismo linguístico que tanto defendem

"[...] errar é humano. Mas dá para perdoar aos doutos imortais da ABL?"

Clique na imagem para ampliá-la.

Por Michel Arbache

Em nota oficial, a ABL (Academia Brasileira de Letras) faz dura crítica ao livro didático ‘Por uma vida melhor’, distribuído pelo MEC.

Até aqui tudo bem. A ABL tem todo o direito de marcar sua posição conservadora e mostrar seu distanciamento tanto da realidade social do povo brasileiro quanto dos parâmetros adotados pelo MEC, que datam de 1998, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso [confira aqui]. Quanto à polêmica do referido livro, clique aqui para assistir ao vídeo com a opinião equilibrada do professor Ataliba Castilho ou aqui para ouvir o professor José Luiz Fiorin, outro craque no assunto.

Bom, numa visita ao site (em itálico, meus prezados!) da ABL, lembrei de dois ditos populares: “casa de ferreiro, espeto de pau” e “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Pois no site da ABL encontrei... diríamos... “equívocos textuais” que transgridem aquilo que a própria instituição defende com tanta paixão – nem que para isto seja necessário apontar o dedo no nariz dos outros. Para começar, visite o site oficial da ABL no endereço abaixo [ou clique AQUI para ir direto ao "pecado original"]:


No menu Publicações > Introdução consta o seguinte texto:

"As publicações acadêmicas inciaram-se em 1923 na presidência de Afrânio Peixoto que criou a Biblioteca de Cultura Nacional".

No período acima, dois erros:
  1. “iniciaram”, grafada erroneamente: “inciaram”;
  2. Ausência de vírgula após o substantivo próprio “Afrânio Peixoto”. Reza a gramática normativa que a oração subordinada adjetiva explicativa deve vir separada da principal por vírgula. Assim: “(...) Afrânio Peixoto, que criou (...)”.
Mais adiante, outro trecho:

“A ABL seguiu com a criação de novas publicações e, atualmente fazem parte de seu acervo as Coleções Afrânio Peixoto, Austregésilo de Athayde e Antônio Morais Silva, além da Revista Brasileira e outras publicações tais como os Anais da ABL e os Discursos Acadêmicos.

Há disponibilidade de várias obras on-line, onde o usuário poderá fazer o download das mesmas.”

O que faz a vírgula após a conjunção aditiva ‘e’? Repare ainda o estrangeirismo representado pelos termos download e on-line – que, ainda por cima, não foram devidamente destacados (em itálico, por exemplo). Quer dizer: nós, simples mortais, podemos lançar mão do "diet"; do "light", do "mouse"; do "on-line"; do "download"... Eu mesmo usei a palavra "site" (em vez de "sítio"). Mas saiba que os manuais de gramática (que a ABL tanto preza) não são simpáticos com o que chamam de "vício", que José Saramago preferia chamar de "nova colonização". O que dizer então quando o (mau) exemplo vem da própria ABL, que na nota de repúdio ao livro do MEC diz que "O Cultivo da Língua Portuguesa é preocupação central e histórica da Academia Brasileira de Letras"?

Por fim, é importante dizer que acho tremenda deselegância e pedantismo apontar falhas nos textos alheios, principalmente quando o intuito é desmerecer a pessoa ou o a idéia. Afinal, somos todos mortais. Ou, lembrando o clichê: errar é humano. Mas dá para perdoar aos doutos imortais da ABL?


Fonte: Letras Incertas

______________________________________

Nota da editoria-geral do Terra Brasilis Educacional:

Desde o dia 12 de junho de 2011, data da postagem do Michel Arbache, o site da ABL ainda apresenta os desvios apontados pelo autor de Letras Incertas [ver imagem abaixo].
Evidente que o primeiro desvio devemos creditar a um problema mecânico... Já quanto aos outros, dentro de uma perspectiva em que doutos fazem uma defesa doentia de um purismo linguístico...
Será que estão tomando muito chá e comendo muitos biscoitos?...

Clique na imagem para ampliá-la e verifique a permanência dos desvios.

2 comentários:

Marcelo Véras disse...

Gostei!...ehehehe
Podemos também considerar o uso inadequado de 'mesmo' na última frase? Já que não se usa essa palavra como elemento anafórico. Estou certo?

DiAfonso disse...

PoisZÉ, cumpadi Marcelos Véras... rsrs

Ocorre que muitos gramáticos e linguistas não apontam o uso de MESMO e flexões como uma inadequação quando usado anaforicamente.

Faraco considera o uso de MESMO e flexões como não padrão.

Outros [como Celso Cunha, Evanildo Bechara e, incrível, o Cegalla] apenas informam que não seria "a melhor escrita", entretanto não proíbem o uso do MESMO e flexões como elemento anafórico.

Abração e obrigado pelo comentário.

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