terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Relações de Sentido no Texto

[CESPE - DPF - Agente de Polícia Federal - 2014]



Está explícita no último parágrafo do texto a seguinte relação de causa e consequência: o perito examina o local do crime, faz o exame externo da vítima e coleta qualquer tipo de vestígio porque precisa levar as evidências para análise nos laboratórios forenses.

[ ] CERTO [X] ERRADO


Resolução e comentários:

Para responder adequadamente a esta questão, são necessários dois pré-requisitos básicos: noções de relações de sentido expressas por meio de conectivos oracionais e inferência textual.

O próprio enunciado da questão nos sugere que estão explícitas, no parágrafo avaliado, as relações de sentido de causa e consequência: “o perito examina o local do crime, faz o exame externo da vítima e coleta qualquer tipo de vestígio porque precisa levar as evidências para análise nos laboratórios forenses”.

O valor semântico de “causa”, ainda segundo o enunciado proposto, está na presença do conectivo oracional “porque”. A causa [motivo] reside na ideia de que o perito precisa levar evidências para análise nos laboratórios forenses. A consequência [efeito] é manifestada pelas funções do perito de examinar o local do crime, fazer exame externo da vítima e coletar qualquer tipo de vestígio.

Ocorre que essa análise só seria possível a partir de uma inferência textual, ou seja, o leitor poderia depreender, concluir essa relação de causa e consequência em função das ideias contidas no último parágrafo. A inferência é uma atitude analítica que só se realiza na busca do que não está explícito, na captura daquilo que não se encontra na superfície textual.

Ora, verifica-se que essa relação de causa e consequência NÃO está EXPLÍCITA como sugere o enunciado. O que se tem, de fato, é uma cadeia enumerativa das funções que o perito deve exercer. Portanto, a afirmação presente no enunciado contém ERRO


Prof. DiAfonso

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Pronome Relativo e Concordância Verbal

Que "crime" o editor da Globo News cometeu?


O período "Homem que faziam duas pessoas reféns se entrega para a polícia" apresenta duas orações que podem ser assim separadas:

1ª oração: "Homem se entrega para a polícia" - Oração Principal
2ª oração: "que faziam duas pessoas reféns" - Oração Subordinada Adjetiva Restritiva

A 2ª oração é introduzida pelo pronome relativo QUE na função de sujeito e, segundo uma das regras de concordância, o verbo deve concordar - em número e em pessoa - com o antecedente do pronome relativo. Como se pode notar, essa concordância não ocorre, haja vista a forma verbal estar no plural [FAZIAM] e o antecedente do QUE se encontrar no singular [HOMEM].

Portanto, o "crime" cometido foi de "discordância de número" entre a forma verbal da segunda oração e o antecedente do pronome relativo QUE. Vale ressaltar o fato de o antecedente do pronome relativo sempre integrar a oração principal.

Correção: "Homem que FAZIA duas pessoas reféns se entrega para a polícia"

Prof. DiAfonso


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sábado, 24 de janeiro de 2015

Dúvidas Nossas de Cada Dia: "À medida que" ou "Na medida em que"?


As duas locuções conjuntivas adverbiais "À MEDIDA QUE" e "NA MEDIDA EM QUE" servem para estabelecer ligação entre duas ou mais orações e estão corretas. O uso delas depende do contexto semântico em que forem empregadas, isto é, depende do sentido que se queira dar a elas em determinada situação comunicativa. Mas quais seriam esses sentidos? Vejamos:

"À MEDIDA QUE" ==> Apresenta valor semântico de PROPORÇÃO. Deve ser usada para introduzir orações adverbiais proporcionais e pode ser substituída por À PROPORÇÃO QUE. Vale ressaltar que À MEDIDA QUE e À PROPORÇÃO QUE são as únicas locuções conjuntivas que recebem o acento indicativo da crase.

* À MEDIDA QUE/À PROPORÇÃO QUE as investigações realizadas pela PF se intensificavam, o envolvimento de diversos parlamentares se confirmava.

"NA MEDIDA EM QUE" ==> Apresenta valor semântico de CAUSA. Deve ser empregada para introduzir orações adverbiais causais e pode ser substituída por PORQUE/JÁ QUE/VISTO QUE.

* O condutor foi justamente multado, NA MEDIDA EM QUE/PORQUE/JÁ QUE/VISTO QUE cometera várias infrações de trânsito naquela rodovia movimentada.

Observe-se que, de acordo com o proposto para textos escritos formais, não se deve usar NA MEDIDA QUE ou À MEDIDA EM QUE.


Prof. DiAfonso

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Dúvidas Nossas de Cada Dia: verbo "Haver"


A princípio, é necessário deixar claro que, quanto à determinada estrutura linguística, o paradigma morfossintático [o modelo-padrão] das orações em língua portuguesa é aquele em que há sujeito e predicado.

Entretanto, uma ocorrência diversa desse modelo se pode notar com os chamados VERBOS IMPESSOAIS. Estes estruturam a oração sem a existência de um sujeito e traz implicações para o fenômeno da concordância verbal. É o caso do verbo HAVER no sentido de EXISTIR, OCORRER, ACONTECER ou nas indicações de tempo decorrido.

O verbo HAVER, nos sentidos indicados, assume uma impessoalidade na estrutura oracional, motivo pelo qual não apresenta sujeito e, por isso, deve estar sempre na 3ª pessoa do singular.

A primeira oração sugerida se enquadra no que foi dito acima: "HAVIA muitos policiais no Recife Antigo.".

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Dúvidas Nossas de Cada Dia: "Desde as 7h" ou "Desde às 7h"?


O fenômeno fonético que denominamos CRASE exige requisitos para se manifestar. Um desses requisitos é a existência da preposição "A" + o artigo "A[S]. Não é o que ocorre nas expressões adverbiais sugeridas.

DESDE [preposição] + AS [artigo]

Note que a preposição é "DESDE" e não "A". Desse modo, temos uma ocorrência PROIBITIVA. A expressão a ser usada, em determinado contexto, é sem o emprego do acento indicativo da CRASE.

* Estava na emergência médica DESDE AS 7h. Já são 20h e ela ainda não foi atendida.

Situação comunicativa diferente seria:

* Chegou ÀS 7h e ainda não foi atendida.


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Dúvidas Nossas de Cada Dia: "Em Princípio" ou "A Princípio"?



Quem nunca ouviu algum falante de língua portuguesa usar uma dessas expressões? Quem nunca as leu em algum segmento textual? Pois bem... Essas locuções adverbiais, embora sejam quase semelhantes, possuem uso diverso sempre levando em conta o contexto comunicativo, a situação comunicativa. Diferenciemos as duas expressões, então:

A PRINCÍPIO ==> Significa "inicialmente", "de início", "num primeiro momento", "no começo".

* A PRINCÍPIO, os custos devem ser medidos para que não façamos investimentos desnecessários e comprometamos a saúde financeira da empresa.

* A PRINCÍPIO, ele se sentiu desconfortável com a entrevista, mas depois relaxou e conseguiu mostrar suas habilidades como candidato ideal para o cargo.

EM PRINCÍPIO ==> Significa "em tese", "em teoria", 'teoricamente".

* EM PRINCÍPIO, concordou com o plano emergencial para evitar a falência da empresa.

* Devo confessar que, EM PRINCÍPIO, sua colocações são pertinentes.

Dúvidas Nossas de Cada Dia: "Por Hora" ou "Por Ora"?


As duas expressões podem ser usadas, desde que em conformidade com o contexto no qual estão inseridas. A confusão se estabelece pela forma como se grafam as palavras: HORA [com H] e ORA [sem H].

Vejamos a diferença entre as expressões:

POR HORA => Nessa expressão, a palavra HORA [com H] representa a unidade de medida de tempo equivalente a 60 minutos.

* Na fazenda inspecionada pela força-tarefa do MPT, constatou-se a presença de trabalhadores em regime de semiescarvidão. Todos recebiam, POR HORA, R$ 1,00 pelo serviço realizado.

POR ORA ==> Já essa expressão, em que a palavra é grafada sem H, tem-se o equivalente a "POR ENQUANTO".

** Na fazenda inspecionada pela força-tarefa do MPT, constatou-se a presença de trabalhadores em regime de semiescarvidão. POR ORA, o MPT multou o proprietário e exigiu que todos os empregados fossem devidamente indenizados.

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Ambiguidade Frasal

Que falha de construção ocorre no título que abre a matéria publicada na página do DPF?


Temos aqui um problema gerado pela ambiguidade. Esse fenômeno sintático-semântico, quando não intencional - como ocorre nos textos publicitários -, interfere na compreensão de segmentos textuais.

Podemos depreender, a partir da forma como a organização sintática da frase se deu, duas interpretações possíveis:

1. O italiano, que já era procurado pela Interpol, foi preso pela PF no estado de Pernambuco.

2. O italiano, que foi preso pela PF, era procurado pela Interpol, EXCLUSIVAMENTE, no estado de Pernambuco.

Parece-nos que a intenção comunicativa desejada tenha sido a primeira.

Sugestão de reedição do título:

* PF PRENDE, EM PERNAMBUCO, ITALIANO PROCURADO PELA INTERPOL.


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Regência e Crase

Análise de aspectos linguísticos de um fragmento de texto presente na prova para o cargo de agente do Departamento de Polícia Federal [2014].


A eliminação do acento indicador da crase nas duas ocorrências acarretaria desvio de norma. Estamos diante do princípio geral que norteia o uso do acento grave [o acento empregado para evidenciar o fenômeno da crase].

Esse princípio estabelece que, quando o termo regente exigir preposição "a" e o termo regido admitir o artigo feminino "a[s]", o uso do acento é obrigatório.

Termo Regente [no contexto , o substantivo "ameaça"] exige preposição "a" ==> Termo Regido [no contexto, os substantivos "humanidade" e "estabilidade"] admitem o artigo "a".

Portanto, verifica-se que a ocorrência é obrigatória e não facultativa como se pode ler na proposição.

Proposição ERRADA.


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Preposição 3

Análise de aspectos linguísticos de um fragmento de texto presente na prova para o cargo de agente do Departamento de Polícia Federal [2014].


Embora, em determinadas construções, a palavra "CONEXOS" exija as preposições A, COM e ENTRE, a afirmativa está errada, pois a preposição COM, neste contexto específico, mantém relação coesiva com o termo regente ASSOCIAÇÃO.

ASSOCIAÇÃO do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos [...] COM a criminalidade e a violência.


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