quarta-feira, 18 de março de 2015

Qualqueres ou Quaisquer?


Plural do Pronome Indefinido QUALQUER

Formado pelo processo de composição por justaposição [QUAL + QUER], o pronome indefinido QUALQUER só deve flexionar o pronome QUAL, já que o último elemento da composição é um verbo:

QUAL ==> QUAIS
QUER ==> sem flexão

=
QUAISQUER.

Em quaisquer situações, devemos nos portar com altivez.

Prof. DiAfonso

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Por que PÃES e não PÃOS?


Plural de Substantivo em -ÃO

Apoiando-se nos estudos tradicionais ou na abordagem linguística dos fatos da língua, alguns dos mais importantes autores tratam o plural das formas em -ão, teorizando a partir de critérios diversos, ora pela via tradicional, ora pelos estudos linguísticos.

Aqui, cabe-nos apontar uma possibilidade não de todo descartada, ainda que baseada em estudos tradicionais, sobre o plural da palavra PÃO.

Segundo Napoleão Mendes de Almeida, em sua Gramática Metódica da Língua Portuguesa [curso único e completo] - 16ª ed., São Paulo; Saraiva, 1963 -, grande parte do léxico da língua portuguesa tem origem no latim vulgar [óbvio].

Baseado nisso, Napoleão Mendes vai buscar a formação do plural da palavra PÃO no latim e não na língua portuguesa. Dessa forma, a justificativa para o plural PÃES - e não PÃOS - estaria no próprio processo de pluralização dessa palavra e de outras na língua latina:

PANES [latim] => o N intervocálico desaparece ao passar sua nasalização para a vogal anterior: PA[N]ES = PÃES.

LEONES [latim] ==> LEO[N]ES = LEÕES

CANES [latim] ==> CA[N]ES = CÃES

Vale dizer que o critério adotado pelo referido gramático se apoia na abordagem diacrônica da língua, e isso, de certo modo, inviabiliza um tratamento didático eficiente, pois não se estuda mais a língua latina nas escolas.

Prof. DiAfonso

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segunda-feira, 9 de março de 2015

Concordância Verbal


Que desvio de norma padrão, para textos escritos, pode-se verificar no texto verbal, presente na imagem?

A forma verbal TEM está em discordância com o sujeito ELAS. Aqui, um princípio básico de concordância entre verbo e núcleo do sujeito foi desconsiderado: 

O verbo deve concordar com o núcleo do sujeito em número e em pessoa.

  • Núcleo do sujeito: ELAS [3ª pessoa do plural]
  • Forma verbal: TÊM* [3ª pessoa do plural]
  • Elas têm veneno...

Note-se que este princípio foi respeitado em relação à forma verbal que se segue: [ELAS] CONTROLAM...

* TEM, sem acento circunflexo, representa a 3ª pessoa do singular. 

Prof. DiAfonso 

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Recursos Coesivos em Textos com Linguagem Mista


Que recursos de coesão foram empregados no texto verbal, presente na imagem?

Neste caso específico, os recursos coesivos são referenciais ou remissivos, isto é, dizem respeito ao fato de, numa determinada situação de comunicação, haver relação entre termos para que se preserve a continuidade textual ou, em outras palavras, para fazer com que o texto "ande", mantendo relações entre as ideias nele presentes.

A remissão - ou referência - pode ser anafórica [faz alusão a um termo anteriormente citado] ou catafórica [aponta para informações posteriores].

No banner, a coesão referencial se dá:

1. na relação entre o pronome ELAS e LAGARTIXAS. Aqui, evita-se a repetição de um termo já utilizado.

e

2. Na omissão do termo ELAS [LAGARTIXAS] para a forma verbal CONTROLAM. Esse recurso é denominado de Elipse.

Vale salientar que, por se estar diante de um texto com linguagem mista, pode-se estabelecer nexo coesivo mais amplo: as imagens da lagartixa devorando uma aranha e uma barata mantêm um elo coesivo com a linguagem verbal do período.

Prof. DiAfonso

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sexta-feira, 6 de março de 2015

Uso do CUJO e Flexões


Como se sabe, o uso do pronome relativo CUJO e flexões [CUJOS, CUJA, CUJAS] é restrito a determinadas construções formais. O emprego do referido pronome, no trecho a seguir, encontra-se em conformidade com um determinado padrão normativo da língua?

"Empresa que é a protagonizadora do maior escândalo de lavagem de dinheiro da história, CUJO ajudou 8 mil brasileiros a sonegar impostos, alega crise financeira e deve deixar o Brasil"

O problema básico na construção com o uso do CUJO, no trecho acima, reside em não haver relação de posse no contexto.

Observe-se que, como bem colocou Nicola Ionata, um dos requisitos para o emprego adequado do CUJO [e flexões], a partir da ideia posse, é que o referido pronome tenha como antecedente e consequente um substantivo. Isso não ocorre. O consequente é um verbo ["ajudou"].

Para compreender o uso adequado de CUJO [e flexões], clique aqui.

Prof. DiAfonso

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Concordância Verbal - Regra Geral


Que razões de ordem morfossintática garantem as formas verbais grifadas no singular?

A estrutura padrão das orações em língua portuguesa é regida por sujeito e predicado* [considere-se aqui o verbo como elemento geralmente nuclear ou mais importante do predicado**]. Cabe ainda evidenciar que essa estrutura se dá no plano morfossintático, isto é, a análise dela deve ser feita a partir da forma [MORFOLOGIA - classe gramatical: substantivo, artigo, verbo, pronome etc.] e da função exercida pelo termo na oração [SINTAXE].

Ao se perguntar que razões de ordem morfossintática garantiram as formas verbais grifadas no singular, está-se pedindo para avaliar a relação entre as ditas formas verbais e seus respectivos núcleos do sujeito, relevando a forma e a função [Morfossintaxe] e a relação coesiva de concordância verbal. Sendo assim, temos:

GREVE dos caminhoneiros FAZ PREÇO de frutas e verduras SUBIR em São Paulo.

Em que:

GREVE é substantivo no singular e núcleo*** do sujeito "Greve dos caminhoneiros". Dessa forma e pela regra geral de concordância verbal****, FAZ deve ficar no singular.

PREÇO é substantivo no singular e núcleo do sujeito "Preço de frutas e verduras". Desse modo e pela regra geral de concordância verbal, SUBIR não deve flexionar no plural.

* Há orações que não apresentam sujeito. São aquelas em que o verbo é impessoal, como HAVER [no sentido de EXISTIR, OCORRER, ACONTECER e nas construções indicativas de tempo passado], por exemplo.

** Não podemos nos esquecer de que existem predicados com verbos de ligação [não nocionais, ou seja, que não denotam ação]. Nesse caso, o núcleo do predicado é um atributo, um qualificativo que chamamos de predicativo do sujeito.

*** O núcleo do sujeito poderá ser representado por: substantivo, pronome substantivo, numeral substantivo ou qualquer palavra substantivada].

**** A regra geral de concordância verbal estabelece que o verbo deve concordar em número e em pessoa com o núcleo do sujeito.

Simplificando, ainda que se faça necessária a abordagem mais fundamentada para a resposta:

As formas verbais se encontram no singular para concordar com seus respectivos núcleos do sujeito.

Prof. DiAfonso


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Regência do Verbo PERDOAR


Que desvio de "norma padrão" - para textos formais escritos - ocorre na parte destacada da imagem: "PERDOOU O AGRESSOR"...?

O verbo PERDOAR, a depender do contexto linguístico, pode ser construído como:

Transitivo Direto = verbo que exige complemento [objeto] sem o auxílio de preposição.

==> Ela perdoou a agressão./ Ela perdoou o mal-entendido.

Transitivo Indireto = verbo que exige complemento [objeto] com o auxílio de preposição A.

==> Ela perdoou À agressora. / Ela perdoou Ao agressor.

Note que esse verbo é:

1] transitivo direto quando o complemento NÃO É PESSOA;

2] transitivo indireto quando o complemento É PESSOA.

Portanto, o desvio encontra-se no uso do verbo "perdoar" como transitivo direto [sem auxílio de preposição]. Segundo a norma, a forma verbal "PERDOOU" deveria ter sido construída com a preposição A, por ter o complemento PESSOA [AGRESSOR].

Prof. DiAfonso


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Concordância Verbal com Coletivos


Que desvio de "norma padrão" - para textos formais escritos - ocorre na parte destacada da imagem?

Sujeito coletivo* ==> verbo no singular: EQUIPE [internacional] FAZ reunião...

Outro aspecto a ser considerado é a má construção [aqui não se indica desvio de norma] no trecho "reunião conjunta", como bem frisou o leitor Carlos Cassaro. Reunião entre pessoas de um mesmo segmento só pode ser "conjunta".

* Sendo o sujeito constituído de coletivo partitivo + expressão no plural, o verbo poderá concordar com o coletivo [singular] ou com o núcleo da expressão no plural.

Equipe de engenheiros FEZ/FIZERAM a vistoria no edifício a pedido dos moradores.

Prof. DiAfonso

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